Nunca imaginei que o trabalho de manter um blog pudesse demandar criatividade e tempo. Tempo creio que vem com a maturidade de aceitar o ritmo da vida e as possibilidades que a vida adulta permitir. Criatividade demanda conhecimento (o que andei buscando nos últimos anos) para que possa acontecer. Por isso vejo este blog como uma nova fase. Uma fase mais solta, menos preocupada com escrever para agradar a todos e mais próxima da visão inicial de refletir sobre o evangelho no dia a dia e nos temas que passam ao meu redor e que despertam uma necessidade de aflorar e tornar pública a viagem. Ir e pregar.
Descobri que é no movimento da luta pela minha fé em um mundo secularizado que a pregação acontece. A vida é nosso grande púlpito, palco de uma pregação sem palavras (em muitos momentos) que é lida e assistida por todos que nos vigiam: o vizinho, o balconista da padaria, o colega de trabalho, o porteiro, o zelador, o professor. Nunca a percepção de que somos a bíblia que muitos lêem foi tão forte quanto nos últimos dois anos. Em meio a uma doença que afetou a saúde física, emocional e econômica de muitos, a maneira como lidamos com as sequelas do SARS-COV-2 foi a maior pregação dos crente em Jesus Cristo.
É a partir disso que essa nova fase surge. Ir e pregar é o que nossa vida deve fazer. Estar disposto a abraçar um desconhecido que espera apenas que você o escute por uns poucos minutos e manifestar neste ato o amor de Deus para ele, que pensava em tirar a própria vida e que no abraço do desconhecido encontra uma semente de esperança para continuar tentando. No lanche que você para e compra para um desconhecido e deixa que ele lhe conte a sua história, que você pode nem acreditar, mas que pode fazer diferença pra ele. Naquele telefonema, que você não tinha a menor vontade de fazer, mas que chega até alguém como um renovo. Tudo isso é ir e pregar.
Quando pensei em começar a escrever, a ideia nunca tinha sido a de produzir estudos bíblicos, mas este era o território mais confortável. Versículos e reflexões pareciam ser o caminho natural a se seguir... acho que isso foi o que me afastou de compartilhar o que havia inicialmente em meu coração. Mas eis que chega uma nova fase: um novo ir e pregar. Que Deus me mova para ir e me coloque as palavras na boca (ou nos dedos) para pregar.
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