... Será que estamos
preparados para ela?
No meio cristão
muito se fala sobre a vontade de Deus para nossas vidas; sobre como queremos
realizar a vontade de Deus para nós; sobre como queremos fazer, não a nossa
vontade, mas a vontade Dele. Será que realmente estamos preparados para isso?
Estamos prontos a conformar nossa vontade e alinhá-la ao que diz a Palavra de
Deus? E não falo apenas de resistir às tentações ou de nos afastarmos do
pecado. Seguir a Cristo vai muito além disso. O pecado foi vencido por ele na
cruz e não será dele que virão nossas tentações, quanto à vontade do Pai o
assunto é muito mais complicado. Meditemos nas seguintes situações:
Mt 8.18 Vendo Jesus muita gente ao seu redor, ordenou que passassem para a outra margem. 19 Então, aproximando-se dele um escriba, disse-lhe: Mestre, seguir-te-ei para onde quer que fores. 20 Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem nem sequer onde reclinar a cabeça. 21 E outro dos discípulos lhe disse: Senhor, permite-me ir primeiro sepultar meu pai. 22 Replicou-lhe, porém, Jesus: Segue-me, e deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos.
Mt 14.27 Mas Jesus imediatamente lhes disse: Tende bom ânimo! Sou eu. Não Temais! 28 Respondendo-lhe Pedro, disse: Se és tu, Senhor manda-me ir ter contigo, por sobre as águas. 29 E ele disse: Vem! E Pedro, descendo do barco, andou por sobre as águas e foi ter com Jesus.
Estamos prontos
para não termos onde dormir? Estamos prontos para abrirmos mão de nossas
seguranças? Estamos prontos para nos distanciarmos de nossas famílias ao ponto
de sermos acusados de os termos trocados por Cristo? Estamos prontos para
descermos do barco e nos laçarmos às águas sob o comando: Vem?
É muito comum
cristão declararem que querem a vontade de Deus para suas vidas, apenas com a
ideia de que a vontade de Deus é boa, perfeita e agradável. Mas será assim
mesmo a vontade de Deus? Vejamos esse versículo:
Rm 12:2 E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.
Não parece ser bem o que o apóstolo Paulo estava destacando. Perceba que
Paulo fala sobre a renovação da mente como caminho para experimentar “qual seja
a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”. O início é uma renovação da
mente, e só então irei passar a contemplar a vontade de Deus como sendo boa,
agradável e perfeita. Sem renovar a mente não serei capaz de me conformar com a
vontade de Deus, muito menos de considerá-la boa, agradável e perfeita. Logo,
querer ver a vontade de Deus realizada em nossas vidas, não quer dizer que
seremos agraciados com uma vida perfeita segundo os nossos valores e padrões.
Querer a vontade de Deus para nossas vidas, talvez nos traga uma sensação de
morrer para nós mesmo, de não realizamos mais as nossas vontades e não mais
avaliar o mundo segundo nossos valores e padrões.
Como deveria ser
então essa nova mente capaz de achar que a vontade de Deus boa, agradável e
perfeita a despeito do que minha mente humana considera como sendo boa,
agradável e perfeita? Essa mente deve aproximar-se da mente de Cristo (1Co
2.16) para que possamos crer nisso. Cristo, ciente de seu sofrimento, ciente do
que haveria de passar, orando no Getsémani (Mt 26.39) assim o fez; abdicou de
sua vontade (ainda que tendo manifestado o que pensava) para fazer a vontade do
Pai. Essa mente que vê além dos prazeres e sofrimentos humanos, que contempla a
glória do Pai e não sua própria, que se oferece liberalmente para ser
instrumento dos desígnios divinos, é que pode contemplar a vontade do Pai como
boa, agradável e perfeita – independente das consequências pessoais. É esse o
caminho que a renovação da nossa mente deve trilhar, até poder afirmar, como
Paulo, “não vivo mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gl 2.20).
Nitidamente, ao
homem é impossível fazer isso. Apenas com o auxílio do Espírito Santo é que
podemos vencer a natureza adamica para que possamos fazer a vontade do Pai.
Nossa carne pende pra morte (Rm 7.18; 8.5-9; Gl 5.19-21; 6.8; Cl 2.13). No
entanto, o Espírito de Deus nos vivifica (2Co 3.6), é nosso auxiliador (Jo
14.16,26; 15.26; 16.7) e é capaz de manifestar amor, gozo, paz, langanimidade,
benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio em nossas vidas (Gl
5.22,23). Somente a comunhão com o Espírito Santo e com a Palavra é que pode
nos aproximar da mente de Crsito ao ponto de podermos enchergar em qualquer
cisrcunstância que a vontade de Deus é boa, agradável e perfeita. Somente
através da fé e da aceitação de que tudo coopera para o bem dos que amam a Deus
(Rm 8.28) e de que Deus é o Senhor de nossas vidas é que podemos submeter
nossas concepções, ideias e pensamentos ao ponto de reconhecermos o cumprimento
da vontade de Deus em nossas vidas como algo bom.
Dessa forma, quando
buscamos o cumprimento da vontade de Deus em nossas vidas, precisamos estar
dispostos a mortificarmos nossa vontade a cada dia, para que o caráter de
Cristo cresça em nós e manifeste a capacidade de, abdicando dos nossos anseios,
realizar os desígnios de Deus em nossas vidas. Só através do reconhecimento de
que Deus é fonte de tudo que é bom (Tg 1.17) é que se pode aceitar o seu
senhorio e estar disponível para realizar sua vontade. Baseados em nossa
natureza humana e na força de nossos “braços”, não seremos de viver a vontade
de Deus; poderemos, no máximo, criar uma aparência de submissão e de sujeição
ao Senhorio de Cristo em nossas vidas.
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