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quarta-feira, 24 de agosto de 2022

Uma quarta-feira qualquer

 É tão interessante como o ordinário perde seu encanto. Hoje, apenas uma quarta-feira qualquer, tem tudo para se perder no calendário. Mas o que esta quarta feira, 24 de agosto de 2022 tem de especial? A resposta é um sonoro nada! É apenas um dia em que achei valer a pena um texto que chamasse a atenção para o ordinário de Deus. Como outras quartas-feiras, as tarefas quotidianas demandaram ida ao mercado, comprar legumes, almoçar, beber café, ir para o trabalho. E muitas pessoas fazem essas mesmas tarefas, apenas não reconhecem a mão de Deus nas coisas ordinárias.

Quando bebemos um gole de café esquecemos do Deus criador, que criou o pé de café; criou o homem dotado de inteligência que cultivou o café, torrou seus grãos, moeu estes grãos torrados, produziu a infusão deste pó e enfim tivemos nosso café de todo dia. Quando comemos um biscoito, um pão, não gastamos tempo aproveitando isso como uma dádiva de Deus, que criou o trigo e deu sabedoria ao homem para que elaborasse receitas para aprimorar o sabor e a textura dos alimentos criados para que do ato de alimentar-se tivéssemos prazer. 

O ordinário revela a providência de Deus. Somos diariamente chamados para nos apresentar diante dele, com o coração grato, e contemplar a sua criação enquanto presentes vindos direto do trono de Deus. Como esquecemos dos lírios do campo, das aves do céu. Esquecemos de que Ele tem o tempo todo controle sobre cada evento do universo, que não há nenhum pedaço do cosmos que não seja dele. É nessa consciência de que o ordinário é especial porque revela o amor de Deus em nosso dia a dia que podemos nos consolar e recorrer nos momentos de sofrimento a Ele. 

Lembrar de Deus no ordinário é o que nos treina para sempre reconhecer seu cuidado.

quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Uma nova fase

Nunca imaginei que o trabalho de manter um blog pudesse demandar criatividade e tempo. Tempo creio que vem com a maturidade de aceitar o ritmo da vida e as possibilidades que a vida adulta permitir. Criatividade demanda conhecimento (o que andei buscando nos últimos anos) para que possa acontecer. Por isso vejo este blog como uma nova fase. Uma fase mais solta, menos preocupada com escrever para agradar a todos e mais próxima da visão inicial de refletir sobre o evangelho no dia a dia e nos temas que passam ao meu redor e que despertam uma necessidade de aflorar e tornar pública a viagem. Ir e pregar.

Descobri que é no movimento da luta pela minha fé em um mundo secularizado que a pregação acontece. A vida é nosso grande púlpito, palco de uma pregação sem palavras (em muitos momentos) que é lida e assistida por todos que nos vigiam: o vizinho, o balconista da padaria, o colega de trabalho, o porteiro, o zelador, o professor. Nunca a percepção de que somos a bíblia que muitos lêem foi tão forte quanto nos últimos dois anos. Em meio a uma doença que afetou a saúde física, emocional e econômica de muitos, a maneira como lidamos com as sequelas do SARS-COV-2 foi a maior pregação dos crente em Jesus Cristo.

É a partir disso que essa nova fase surge. Ir e pregar é o que nossa vida deve fazer. Estar disposto a abraçar um desconhecido que espera apenas que você o escute por uns poucos minutos e manifestar neste ato o amor de Deus para ele, que pensava em tirar a própria vida e que no abraço do desconhecido encontra uma semente de esperança para continuar tentando. No lanche que você para e compra para um desconhecido e deixa que ele lhe conte a sua história, que você pode nem acreditar, mas que pode fazer diferença pra ele. Naquele telefonema, que você não tinha a menor vontade de fazer, mas que chega até alguém como um renovo. Tudo isso é ir e pregar. 

Quando pensei em começar a escrever, a ideia nunca tinha sido a de produzir estudos bíblicos, mas este era o território mais confortável. Versículos e reflexões pareciam ser o caminho natural a se seguir... acho que isso foi o que me afastou de compartilhar o que havia inicialmente em meu coração. Mas eis que chega uma nova fase: um novo ir e pregar. Que Deus me mova para ir e me coloque as palavras na boca (ou nos dedos) para pregar.