Luc 15:11-32 ARC1995 ¶ E disse: Um certo homem tinha dois filhos. (12) E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte da fazenda que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda. (13) E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua e ali desperdiçou a sua fazenda, vivendo dissolutamente. (14) E, havendo ele gastado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a padecer necessidades. (15) E foi e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra, o qual o mandou para os seus campos a apascentar porcos. (16) E desejava encher o seu estômago com as bolotas que os porcos comiam, e ninguém lhe dava nada. (17) E, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome! (18) Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti. (19) Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus trabalhadores. (20) E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão, e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço, e o beijou. (21) E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti e já não sou digno de ser chamado teu filho. (22) Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, e vestí-lha, e ponde-lhe um anel na mão e sandálias nos pés, (23) e trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos e alegremo-nos, (24) porque este meu filho estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado. E começaram a alegrar-se. (25) E o seu filho mais velho estava no campo; e, quando veio e chegou perto de casa, ouviu a música e as danças. (26) E, chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo. (27) E ele lhe disse: Veio teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo. (28) Mas ele se indignou e não queria entrar. E, saindo o pai, instava com ele. (29) Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos. (30) Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou a tua fazenda com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado. (31) E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas. (32) Mas era justo alegrarmo-nos e regozijarmo-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado.
Outra das passagens mais conhecidas da bíblia, a parábola do filho pródigo guarda uma infinidade de ensinos. Um dos quais é o amor de um pai por seus filhos, que cada um a seu modo, não investiram em conhecer o Pai e em relacionar-se com ele. Vamos viajar um pouco nesta parábola e refletir sobre nossos julgamentos sobre as pessoas.
É comum que cristãos, bem intencionados, condenem apressadamente o filho mais novo e absolvam o mais velho. É muito mais fácil dizer que aquele que ficou em casa é muito melhor do que o que gastou a herança na vida. Mas já paramos para imaginar que nenhum dos dois deu valor a herança que receberam. Ora, se o pai repartiu os bens, cada um recebeu a sua parte. Se cada um recebeu a sua parte, porque o mais velho nunca fez seu “churrasco” com os amigos? E depois acusou o pai de nunca ter “lhe dado um cabrito” para se alegrar com seus amigos (e porque ele não pegou um dos cabritos da sua herança?). Um não valorizou a herança que recebera por banalizá-la, o outro por idolatrá-la.
O mais novo, apressou-se em matar o pai... calma... é que pra receber uma herança o pai tinha que ter morrido. Mas o mais velho nunca viu o pai vivo. Para ambos o pai era uma figura que estava lá, mas que eles nem sabiam pra que servia. Um serviu ao pai como se fosse necessário seu sofrimento para se tornar digno do amor que o pai já tinha por ele e que ele não se sentia livre para usufruir. O outro consciente desse amor não se importava em valorizá-lo. Para ambos o pai era “irrelacionável”, como a fotografia de um ente querido que já faleceu.
Quando a vida se reajusta e os filhos se re-encontram com o pai, esses conflitos se tornam mais claros. O filho mais novo, após dilapidar sua herança, lembra do amor do pai e volta; o mais velho, que não entende nada sobre o amor que o pai sente por seus dois filhos, se confronta com a realidade que sempre foi amado e que nunca desfrutou desse amor.
Se formos sinceros, não com os outros mas conosco, nos veremos como um dos dois filhos. Ou descobrimos o amor que o Pai tem por nós e negligenciamos o relacionamento, ou desconhecemos o seu amor e não nos relacionamos com ele como ele espera que façamos. O que temos feito com a herança que já recebemos de nosso pai celestial? Estamos desperdiçando? Ou estamos deixando que fique com ele para não nos sentirmos como se estivéssemos roubando dele?
Conhecer mais de Deus nos coloca na posição certa que devemos ocupar para melhor investir a herança que Deus colocou a nossa disposição.
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