Não
obstante, aquele que não trabalha,
mas
crê naquele que justifica o ímpio,
a
sua fé lhe é imputada como justiça.
Romanos
4:5
A Graça de Deus sempre me surpreende. Não é surpreendente
que algo assim se encontra na bíblia, como diria Spurgeon[1]? Estamos tão acostumados
às regras impostas pelas culturas religiosas que nos surpreendemos com uma
verdade crua e simples como esta. Paulo insiste nesse ponto – a salvação pela
graça – em diversos pontos de suas epístolas[2]. E muitos cristãos
insistem que são o bom proceder que garantem a salvação. Não que as boas obras sejam inúteis (1Co
15.10), mas não são elas que salvam.
As boas obras receberão galardão do pai celestial (Mt
10.41-42; Mc 9.41; Lc 6.35; 1Co 3.8; Cl 3.24), mas as obras da lei, o bem feito
como justificativa própria, na presença de todos, essas recebem galardão
segundo a dívida (Rm 4.4) e no mesmo momento em que fizeram tais obras (Mt 6.1;
6.2; 6.5; 6.16). Cobrar a perfeição de pessoas imperfeitas é negligenciar a
própria imperfeição. João nos alerta sobre isso (1 Jo 1.8-10).
Muitas vezes tentamos criar os nossos próprios alertas.
Alertas que nos separam dos outros e que nos tornam mais puros aos nossos
próprios olhos enquanto tornam menos puros aos que olhamos. E isso não é
cristianismo! Não podemos ser acusadores, negar nossas falhas, e atirar sobre
os outros pesos que não podemos carregar – isso seria manter ativo o fermento
dos fariseus.
Somos chamados para uma obra de amor, de alegria, de paz,
de firmeza de ânimo, de clemência, de bondade, de fidelidade, de mansidão e de
domínio próprio (Gl 5.22-23). Esse é o fruto do Espírito que habita em nós por
meio da graça de Deus manifestada em Cristo e que opera nos filhos de Deus.
Somos chamados a ir e pregar o evangelho a toda criatura – avisá-las de Deus
mandou seu filho para nos salvar (Jo 3:16) e que ele veio para evangelizar os
pobres, proclamar libertação aos cativos, restaurar vista aos cegos, por em
liberdade os oprimidos e apregoar o ano aceitável do Senhor (Lc 4.17-21).
Façamos a boa obra da graça, e não a obra da lei.
[1]
C.H.Spurgeon, ver -- http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Spurgeon
[2]
Romanos (3.24; 4.4-5; 4.16; 5.15; 5.17-18; 5.20-21; 11.6) Efésios (2.5; 2.8;
4.7) 2Ts 2.16; Tt 3:7 ;2Tm 1.9;